Resenha - Cândido - Voltaire

escrito por Rafael Fernandes

Expulso a pontapés do castelo em que vivia, o ingênuo Cândido tem de enfrentar as piores aventuras em todos os continentes, mas, fiel a seu mestre, mantém a certeza de que, no final, as coisas acabariam bem. A obra que celebrizou Voltaire como pensador enaltece os valores do espírito e da razão.
O título em si já diz muita coisa sobre a história, um romance romântico com bastante tragédia. Nessa crítica, o sistema otimista de Leibniz satiriza a realidade, ao contrário de Cândido, pureza e otimismo, o personagem principal vê em tudo a maldade humana e até casos inacreditáveis, mas era uma questão de perspectiva de vida que a obra de Voltaire nos contradiz.

Cândido vivia na casa do barão de Vestfalia, aproveitava a vida na maior parte do tempo com a baronesa, Cunegundes, a bela no qual ele ama até o fim dessa história. Há também o velho Pangloss, que para Cândido era o homem mais sabido do mundo, sempre quando necessitava de algo o consultava.

Após ter cortejado a bela Cunegundes, Cândido foi parar no país dos búlgaros, açoitado terrivelmente. Sobrevivendo a fatalidade descobre pelo Dr. Pangloss todo mendigado que a família do barão tinha morrido, mas Cândido estava otimista, não acreditava na história, acolheu o Dr. na casa do anabatista Tiago que lhe deu estadia depois da guerra que compadeceu de sua história.

Cândido vai saber sobre sua amada e a família dela, junto com Pangloss e um marinheiro até Lisboa, depois de alguns acontecimentos ele e a turma foram jurados a ser enforcados, mas somente Cândido a ser açoitado novamente.

Cunegundes ainda estava viva, Cândido suspirava... mas estava toda maltratada, ela fora vendida por um judeu, até que Cândido fica feliz em saber de seu paradeiro.

Cândido não tinha só mãos limpas, era otimista, mas também matava sem piedade quando necessitava... Os três fogem juntos, chegando a Cadiz, ele se torna capitão e embarca para vários mundos.

Parando em Buenos Aires, um nobre pede a mão de filha da baronesa, descobrindo por sua vez que eles estão foragidos de outro país. Cândido com medo se separa das duas e parte com Cacambo, seu primeiro criado, até chegar ao Paraguai tornar-se jesuíta, em seguida foge com Cacambo para Eldorado, um país cheio de riqueza onde não se tinha guerra e era quase impossível estar por voltar, uma terra no qual ninguém ligava para ouro e nem prata, pois se banhavam disso.

Seguem para a Itália, mas toda a riqueza que levava consigo no barco fora perdido ou roubado por "esperteza". E quando se separa de seu fiel escravo, Cândido adoece na França. Ambos se reencontram em Veneza a procura de Cunegundes, até que Cândido a encontra, junto com o barão ferido e Pangloss.

Eles partem para Constantinopla, onde pensaria que estaria feliz para sempre, mas não, depois de se casar com ela toda felicidade vem e com ela as fatalidades da vida, ele é maltratado novamente e roubado, deixando dúvidas sobre o título e o sarcasmo do autor, Cândido não é sortudo e sim mega "otimista", pois sua filosofia pregado juntamente por Pangloss nos faz refletir que enquanto estamos na luta, não podemos crer que vamos sobreviver.

Leibniz defendia a ideia de que o mundo não há guerras e doenças, era tudo paz e amor, mas Voltaire pensava diferente, ele contraditou o clichê, assim quando Cândido perde sua vida perfeita, tudo quando estava a mil maravilhas, fora torturado, açoitado, perdeu sua amada diversas vezes e sem contar seus melhores amigos. As descrições de crueldade com seu tom de deboche me fez várias vezes ter que fechar o livro.

Eu realmente adorei o livro. E eu realmente recomendo esse livro!


4 Comentaram:

  1. parabens pela resenha rafa, geralmente demoro horrores nesse tipo de livro, pq quando nao entendo algo tenho que ficar voltando pra ler de novo...
    Cunegundes???? que nome é esse???? hahahhahahahahah
    bbjss

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  2. Oi Dana querida, pois é Cunegundes é um nome bem feio mesmo, mas o autor tem um gosto incomum, lembra? Ele é tipo desbochado. Espero que tenha se divertido com a leitura. Beijos.

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  3. Caro Rafael,

    Gostei da resenha. Porém, tenho uma correção a fazer aqui: "Cunegundes ainda estava viva, mas toda maltratada, e foi parar lá depois de ter sido vendida por um judeu, e ainda lhe faltando uma parte das nádegas". A velha é que perdeu uma das nádegas, para alimentar um grupo de homens, não a Cunegundes.

    Cumprimentos

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    1. É verdade, devo ter me confundido na hora de ter escrito o texto. Obrigado por corrigir.

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