Resenha - Guerreiros da Esperança - Andrea Hirata

escrito por Rafael Fernandes

Guerreiros da Esperança
Autor: Andrea Hirata
Editora: Arqueiro
Onde comprar: Aqui
Nota sobre o livro: de 5

Sinopse
A ilha de Belitung, na Indonésia, é riquíssima em recursos naturais, mas abriga contrastes sociais gritantes: de um lado, a grande empresa de extração de estanho, com suas modernas instalações e seus ricos executivos; de outro, o povo nativo, que vive numa miséria indescritível. É nesse cenário que a jovem professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan tentam garantir a seus dez alunos o direito inalienável à educação. Eles têm que lutar contra as mais diversas dificuldades, como o estado decrépito do casebre em que as aulas acontecem, as constantes ameaças do superintendente escolar e as gigantescas escavadeiras, prontas para explorar o solo em seu terreno. Porém, o maior de todos os desafios é insuflar naquelas crianças a dignidade e a autoconfiança. E nisso os professores são bem-sucedidos. Juntos, seus alunos aprendem o valor dos amigos, conseguem descobrir o que há de melhor em cada um e conquistam feitos inéditos para sua pequena escola de aldeia.

Resenha:
Quando terminei essa leitura, pensei: Oh, quão magnífico pode ser um livro. Pois é, este pra mim foi um livro magnífico...

Guerreiros da Esperança, ou poderíamos dizer da Educação? Pode-se considerar ambos também, já que esperança e educação nesse livro se encontram/deparam e muito. 

A história em todo seu conteúdo é emocionante e completamente maravilhosa. Depois da leitura você nunca mais vai querer reclamar de sua vida do jeito que ela é ou que poderia estar. Já que com tão pouco, os pobres meninos da ilha de Belitung conseguem ser felizes com o que tem, podem aprender no meio da pobreza o que é ser responsável, podem também somar 2+2, quando possível... É um livro terno que nos ajuda a seguir nosso caminho, que nos ensina a viver, que nos dá mais um motivo para sorrir ao invés de reclamar por nossos problemas tão insignificantes.

O que a maioria deve pensar ao estar lendo o livro e que eu também pensei, é que hoje em dia muitos não gostam/gostavam de ir à escola, já no livro, na Ilha de Belitung (Indonésia), é outro caso, eles tinham prazer em aprender, em andar 40 km todos os dias para chegar à escola, e não era a escola que você frequenta/frequentava não... É uma escola escassa, a céu aberto, a mais pobre que se possa imaginar. Só para constar, a única professora, que lecionava para 10 míseros alunos, não ganhava mais do que 25 dólares para ensinar tudo que sabia, Bu Mus era jovem e costurava para ganhar seu pão de cada dia.

O mais incrível ainda, é que as crianças, tinham prazer em ir à escola, tinham prazer em receber a professora em casa quando não podiam ir até lá... Bu Mus se preocupava com os alunos, ela amava o que fazia. Amava seus alunos. E ah variedade de histórias e personagens descritas nos capítulos, faz dessa história, uma viagem inesquecível pra quem lê. Porque eu me apaixonei por eles. Não tem como não se emocionar, se apaixonar, se encantar pelas histórias, pela simplicidade como é contada... Andrea dá um show de emoção quando escreve. E a tradução que se fez ao português digo o mesmo, porque para transmitir a tradução de outro autor é como copiar a emoção sentida/lida na versão anterior.

A professora Bu Mus, de apenas 15 anos, e o diretor da escola Pak Harfan lutavam muito para manter a escola em pé. Com pouco alguns dão valor, já os que têm muito nem ligam se perder. É essa a triste realidade nos dias de hoje?

Eu por exemplo, adorava ir à escola. Quando minha mãe não deixava eu ir, fazia birra, a escola pra mim era meu refúgio, adorava a biblioteca, adorava tudo, até meus professores queridos. Ainda bem que dei valor à eles...

Cada capítulo era uma emoção a parte. Eles buscavam crescer mais e mais, tanto espiritualmente, como nas sabedorias que Bu Mus passava todos os dias. 

De todos os personagens, o que mais gostei foi de Litang, por sua bravura e por ser tão inteligente, era o orgulho da professora Bu Mus.

A linguagem da autora é maravilhosa, quanto mais você lê, mais quer saber de onde ela tirou aquela história. Aliás, ela viveu essa história. Ela é a educação em pessoa. Talvez ela fosse Bu Mus, isso já não posso dizer, mas torço para que tenha sido ela.

A triste realidade dos personagens, nos faz ver o quanto somos mais ricos do que imaginamos, temos muito e reclamamos muito. Livros assim nos mostram que temos tudo e que não precisamos de mais nada para completar nossa felicidade. Além da família, a força da verdadeira amizade completava tudo. 

Se você procura um livro que foge das modinhas de hoje e quer se emocionar, taí um livro pra te tirar da rotina.


1 Comentaram:

  1. Oi rafa!

    cara, sua resenha foi ótima. Você escreveu muita coisa que eu gostaria de ter escrito, mas que acabei deixando passar. Por exemplo, esqueci de comentar sobre o toque místico da obra, beem sutil mesmo (no caso dos xamas e tal) mas é um livro com um pouco de tudo, o que é melhor.

    É verdade, a gente tem que parabenizar pela tradução, porque não é fácil manter a qualidade de sentimentos em uma obra como essa, e a narrativa é bem atraente. Gostei muito xD

    HAHAAH eu sei como é esse amor pela escola. Minha primeira birra na escola foi aos três anos, quando minha mãe foi buscar meu irmão na escola, eu fui com ela e não quis mais ir embora. Eu sou um dos poucos alunos que, no primeiro dia de aula, nem olhou pra trás procurando a mãe. uaheuhaehuae esse pove desapegado hahahahaha

    Eu também achei incrível a história de Lintang, e claro que não tem como não sentir empatia (pra não fazer spoiler rs) pelo fim que o aluno mais inteligente levou.

    Show de bola a sua resenha! Mais uma bem feita xD

    Pedro Almada
    http://inspirados-oandarilhodotempo.blogspot.com.br/

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