Resenha - Axolotle atropelado - Helene Hegemann

escrito por Rafael Fernandes


Autor: Helene Hegemann
Editora: Intrínseca 
Onde comprar: Aqui
Nota sobre o livro: 4 de 5

Sinopse:
“Vidas terríveis são a maior das felicidades”, desabafa Mifti em seu diário. Aos dezesseis anos, ela assumiu sua condição de “garota-problema” participante da cena underground de Berlim, onde mora desde a morte da mãe. A narrativa de suas experiências, radicalmente influenciadas pelo uso de drogas diversas, faz o leitor mergulhar em uma sequência de acontecimentos paradoxais e incomuns. Em sua busca por uma parceria e por uma compreensão incondicional, ela encontra um mascote exótico e surpreendente: o axolotle — uma espécie de salamandra mexicana que, por um defeito genético, permanece em estado larvário, sem se desenvolver. Com uma linguagem poderosa e inteligente, Helene Hegemann traz em Axolotle atropelado uma torrente de situações nas quais o sonho, o pesadelo e a realidade nua e crua se mesclam, e nem mesmo se diferenciam: apontam para um interessante jogo de intertextualidade e de referências que marca essa novíssima autora da literatura contemporânea.

Resenha:
Torturante e inebriante, eu jamais tomaria conta de um livro como esse. Por mim, não quando se tratava de uma polêmica. Bucólico no começo. O livro passou por base como masoquista e charlatão, pois trata-se de cópias em estilos e misturas de literaturas modernas.

Eu me cansei em várias partes das emoções de Mifti, ela é uma pervertida e fala coisas sem nexo, bissexual, desentende com a maioria dos personagens tratados, que acho que talvez exista só na percepção dela.

Tive que rabiscar umas partes tensas do livro, não tive coragem de colá-las aqui, eu queria era destruir daquela parte do livro, como se fosse possível, o que me é por direito, talvez. Não quero lhes assustar com a linguagem trucidante, mas o livro quer chocar.

Não tenho como descrever qualquer personagem, porém, o que percebo é uma burguesinha que se alivia no mundo das drogas e ervas que poderiam tirá-la da solidão. Seus pais parecem ser piores do que ela em relação à loucura dela. Ela cabula mais aulas do que sai com os poucos amigos fodedores que ela tem. Finge ser normal, e parece que todo mundo fala a linguagem dela, como se o mundo dela fosse diferente do restante, e nós é que calculemos como devemos entender, seu diário está aqui pra isso.

Parece que a autora está no papel da personagem principal, só deve parecer, ela faz questão para que o texto seja difícil de ser entendido, fez com que só um louco, jovem, desvairado, ou que sugue heroína várias vezes ao dia em qualquer beco de Berlim pudesse entender. Apesar que é formulado em primeira pessoa.

Apesar da linguagem de difícil acesso, fez-me perder aonde se conectava sonho ou se era sua realidade, ela sendo estrupada, ela vendo o irmão dela sendo fodido, perdoe meu jargão, só destaco o quão poético são as palavras.

Não há emoção por trás de toda a consternação do início ao fim do idílico.

Axolotle é um consolo pra ela, acho que ele nem faz tanta diferença caso morresse, ela o pegou como se fosse um cachorro de estimação, mas nada além disso o usou para algo. Deu pra perceber somente o ciúme acentuado para a salamandra de vez em quando.

Um livro refutável e repugnante. Axolotle atropelado traz uma abordagem do jovem e suas emoções quando não ouvidas, da atenção não atendida, do gesticular de um ser dependente de todo tipo de contato, ou quando não se é entendido, dá para pensar em muitas coisas. Na cabeça da jovem Mifti tem coisa até demais.

Não foi um livro que poderia dizer 'quero mais', mas mais para 'volto quando puder'.

Simplesmente leia se achar conveniente, só li por pura curiosidade.


15 Comentaram:

  1. não tenho vontade de ler esse livro não,mas já vi boas resenhas e a sua é uma delas ") 

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  2. Como já disse, foi por curiosidade. Não recomendaria pra você, mas eu gostei um pouco dele. Tem que ter muito estômago pra ele.

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  3. Não há muita coisa para comentar, mas a resenha está muito boa.  Bem completa, eu diria.
    E só mais uma coisa: preciso ler esse livro. 

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  4. Olá! 
    Eu nunca tive tanto interesse assim em ler este livro. Não é pelo contexto, mas porque no meu momento de leituras o que prevalecem são outras coisas. Não tenho problemas com a linguagem pesada, mas como você ressaltou, se não tem emoção, o livro perdi um pouco o sentido. Sem contar que é preciso ter um equilíbrio bem grande de como conduzir uma narrativa pesada como esta. Talvez, algum dia, por curiosidade, eu leia.


    Beijo!
    @nine_stecanella 
    http://janinestecanella.blogspot.com/ 

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  5. Logo pela capa e pela sinopse eu não tive nenhuma vontade de lê-lo. Acho que não é o meu tipo, mesmo pela resenha negativa acho que você conseguiu passar para todos o que você achou do livro...então parabéns pela resenha! Beijos.

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  6. Muito obrigado, vontade eu não tive, foi só curiosidade mesmo. Gostei pouco, mas gostei.

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  7. Entendo bem Janine. Já me acostumei com linguagem tipo dessas. Leia se puder, vai te tirar da correria. Beijos! Vou visitar seu cantinho daqui à seguir.

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  8. Não é o meu tipo predileto de leitura, mas fiquei bem curiosa pelo livro! Achei interessante a resenha. Parabéns!

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  9. Oi Rafa!
    Visitando seu blog pela primeira vez. Vi seu comment no blog Inspirados, do Pedro Almada e estou retribuindo seu carinho!
    Adorei a resenha e eu que não estava lá muito interessada nesse livro, já vou olhar para ele com alguma cobiça da próxima vez que for a livraria!

    Beijocas,

    Lu
    www.equinocioaprimavera.blogspot.com

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  10. Aione Simões Sérgio24 de janeiro de 2012 11:19

    Oi Rafa!
    Caramba,  o livro parece ser bem chocante mesmo, principalmente pela forma como deve ser escrito, acredito que você se baseou na linguagem dele pra escrever a resenha né?
    Beijos!

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  11. Ixiii, não leria. hehe
    Se você não gostou muito, então .. quem sabe num futuro distante eu leia neh? rs
    Ótima sua opinião, prova de que você se importa em falar  a verdade do livro.
    O que é mais do que necessário neh? hehe
    Adorei a resenha. ( ;
    Meus parabéns pela rica opinião, sucesso SEMPRE, abração.

    Ewerton Lenildo - Academia de Leitura

    papeldeumlivro.blogspot.com

    @Papeldeumlivro

    http://migre.me/7FM59

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  12. Poderia dizer pela sinopse que não faz o meu estilo de leitura, mas depois que li 'Os 13 Porquês', acho que estaria apto para ler algo assim. Parece ser uma obra bem tensa, no melhor dos termos para referenciá-lo, mas algo bem chocante e complicado de se assimilar totalmente. Infelizmente, a leitura não me atrai e agora, menos ainda. Um abraço!

    ;* Livros, Letras e Metas

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