Resenha - Apátrida - Ana Paula Bergamasco

escrito por Rafael Fernandes


Uma pequena vila na Polônia. Uma menina repleta de vida. Um encontro. Vidas Ceifadas. Sonhos Destruídos. Infâncias Roubadas. As recordações da personagem Irena amarram o leitor na História do Século XX. Baseado no estudo dos fatos que marcaram a época, o palco da narrativa é a conturbada Europa pós Primeira Guerra Mundial, culminando com a eclosão da Segunda Grande Guerra e a destruição que ela provocou na vida de milhões de pessoas. A narradora conduz a exposição em primeira pessoa, e remete o leitor a enxergar, através de seus olhos, o cotidiano a que ficou submetida. É um relato humano, sincero e envolvente que revela a passagem da vida infantil feliz da menina, para o tumulto da existência adulta, cheia de contradições.

Quando comecei a ler Apátrida, pensei que seria um livro cheio de mistérios e acontecimentos desumanos, que me faria chorar do começo ao fim e essas coisas, e confesso que desanimei do primeiro capítulo, descrevendo que a numerosidade dos irmãos de Irena, que eu acabaria por esquecer e confundir  com tantos outros, além disso não gostei só dessa parte, livros que contém muitos nomes acabo por me perder na história, mas em Apátrida a autora conseguiu me lembrar várias vezes do personagem o que consegui me adequar a história. Fiquei emocionado com o conhecimento dos personagens tão humanos e chocado com alguns tão cruéis, mas fui gostando da forma como a autora foi descrevendo em 1ª pessoa, transcorrendo os fatos horríveis e que de certa forma marcaram muitas vidas, inclusive a de Irena.

Apátrida narra a história de Irena, determinada polaca e forte, nascida em Lublin, numa família polonesa feliz, crescida durante a Segunda República, cheia de sonhos, mas se vê perdida entre vários amores e várias perdas.

Os vários lugares demonstrados era puro cenário de sofrimento, tratando o ser humano como se fossem animais ou cobaias, me deu nojo de ter que ler as descrições que Irena destacava no Campo, principalmente dos experimentos em crianças. Era triste ver também que as próprias crianças, velhos e idosos eram os mais torturados por causa de suas fraquezas, e isso parecia muito comum. Senti repulsa e tive que parar de ler em vários momentos para vomitar, perdoe o vocabulário, mas foi essa minha reação em várias leituras.

A Irena mesma, disse que era impossível descrever qual foi o sentimento de estar ali e retratar como era a vida daquelas pessoas, era impossível descrever, nem em filmes se conseguia expressar a dor daquelas pessoas.

Mas a história em suas várias passagens desde a Polônia, uma passada breve a Rússia, inclusive nos EUA e até no Brasil, que descreve como um país cheio de diversidade, considerei que a autora tem conhecimento de mundo, e que descrevia cada qual na sua devida maneira, retratando somente o momento da cena e desprezando como era o lugar.

A autora em nenhum momento deixou a desejar em relação às descrições e forma como contava com sua perspicácia com a ortografia, mostrou dom com palavras rebuscadas, e estrangeiras ao país de origem de Irena.

Sem contar com a capa linda, e que demonstra logo de cara que a história é forte e de chorar, podemos ainda encontrar algumas partes do livro que em meio a tantas desgraças, via-se riso de uma criança acolá.

Achei a história fascinante, tem uma magnitude nunca vista, desde o início desejei que virasse filme, pois faria muitas pessoas se emocionarem. Acho que faria muita crítica boa.

Enfim, recomendo a todos que gostam de ouvir relatos reais, de sentir os acontecimentos e contrapartidas inesperadas, pois em cada página que eu virava uma coisa diferente acontecia, a autora jamais ficava me segurando, mas sim dava logo a informação. Então não estranhe com a forma como a escritora leva a história, pois ora está no passado, ora está no presente, lendo você vai entender melhor. Nota 10.


12 Comentaram:

  1. Ápatrida é de um gênero que eu gosto na verdade gosto de muitos gêneros :)

    Mas só aguardo que o livro chegue até mim

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  2. AMOOO esse livro.
    Chorei litros com ele.
    Muito bom mesmo.

    Abraços,
    Marina - Livros pela Casa.blogspot.com

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  3. O livro deve ser muito forte mesmo, fiquei curiosa pra ler!
    Provavelmente vou chorar muito!!
    Beijos!

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  4. O livro parece ser fantástico. Adoro autores que conseguem explorar temas fortes, e este parece ser um livro muito bom. Entendo suas reações, agora estou com muita vontade de ler este livro, (: Ótima resenha! Abraços,

    Rachel Lima
    http://etcoetra.blog.br

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  5. Odeio enrolação e descrição demais ! Cansa o leitor que não está afim de analisar a obra de uma forma sintetica. Sua resenha ficou muito boa !

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  6. ashuuash Acho que me expressei mal aquii.. eu não quis dizer que o livro é ruim nada disso, é que eu não gosto muito de livros como esse ashaushas . Me lembra um pouco de Machado... Ora presente , ora passado

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  7. @Marcelo Lima
    mah entendo! mas eu recomendo mt eh mt emocionante.. ela faz com q vc nao se perca na história! acho que vc vai gostar sim!

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  8. suhusahasuhas se eu ganhar quem sabe ")

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  9. ai que livro lindo! ^^
    apaixonante para n dizer mais ^^
    adorei a escolha!
    bjs

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  10. Geralmente histórias da época da Primeira ou Segunda Guerra Mundial são tristes e emocionantes, os motivos são óbvios. Acho a capa do livro muito bonita, apesar de triste. Há muito tempo estou querendo ler esse livro, e assim que possível vou lê-lo.
    Beijos.

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  11. Tô com esse livro para ler, mas tô com receio de pegar porque não quero chorar :/ A sua resenha ficou ótima :D
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

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  12. Este parece ser aquele livro que vai fazer chorar até os de coração de pedra como eu.

    Jesimiel |@cadernorepicado
    http://cadernorepicado.blogspot.com

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